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Política para Indignados

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Política para Indignados

Plano democracia zero

Marcelo Zero, sociólogo, DF

12/10/2018

Quanto vale uma democracia? Quanto valem os direitos humanos? Quanto valem os direitos trabalhistas e sociais que tentam assegurar uma vida digna para os mais pobres? Quanto vale a soberania nacional? Quanto vale a dignidade como nação?

No Brasil, não vale nada. Vale tanto quanto a vida de um negro pobre da periferia.

O que vale mesmo são os carguinhos que os partidos em tese social-democratas e liberais poderão obter caso apoiem o fascista Bolsonaro ou declarem "uma fake neutralidade".

É essa a precificação que esses partidos e esses políticos colocaram no que restou da democracia brasileira, após o golpe.

Eles fingem que essa é uma eleição normal, na qual ficam em lados opostos um representante da esquerda ou centro-esquerda e um representante da direita ou centro-direita, como soe acontecer em qualquer país civilizado do mundo.

Mas essa é tudo, menos uma eleição normal. Em países realmente democráticos e civilizados a oposição entre direita e esquerda se dá dentro dos âmbitos estritos e controlados das regras democráticas. Todos respeitam as regras do jogo e o pacto democrático e civilizatório.

No Brasil, esse pacto, esse contrato social básico, fundamental para a vida em sociedade, começou a se romper com o golpe contra a presidenta honesta e agora ameaça ser totalmente destruído com a eleição de Bolsonaro. É o plano democracia zero.

No Brasil, não há uma simples oposição entre um candidato de direita e outro de esquerda. O que há é uma dicotomia irreconciliável entre um candidato que tem compromisso real com a democracia e a civilização e outro que despreza a democracia e a suas instituições e os próprios princípios civilizatórios.

Bolsonaro, um velho político profissional, que exerce cargos políticos há cerca de 3 décadas, aproveitando-se de regalias e privilégios, sempre declarou, de forma pública e em alto em bom som, com imagens e gravações devidamente comprovadas, seu total desprezo pela democracia e pelos direitos humanos.

Também zurra, em conjunto com seu vice, Mourão, o Ariano, seu racismo chocante e animalesco, sua misoginia constrangedora e sua homofobia assustadora.

Com alarmante frequência, fala em metralhar ou destruir seus inimigos, elogia torturadores, comparando-os a "heróis", e chegou a declarar em público, em imagem gravada, que o erro da ditadura foi ter matado pouco, e que deveriam ter morrido ao menos 30 mil pessoas.

Não se trata, observe-se, de declarações ou atitudes cometidas no fervor da adolescência ou juventude, que se desfazem com a ponderação que os anos trazem. Não. São declarações e atitudes sistemáticas e reiteradas de um velho político tradicional, que sempre militou nos partidos mais fisiológicos do país e sempre defendeu os interesses dos mais ricos, em detrimento dos interesses do povo.

Pouco antes de receber a facada de um louco assemelhado, Bolsonaro declarou em público que ia "metralhar petistas". Seus seguidores, insuflados por um ódio cego e irracional ao petismo e a tudo o que for de esquerda ou meramente civilizado, vivem agredindo ou mesmo matando adversários, como ocorreu agora em Salvador, com o assassinato de Moa, criador do Badauê e importante figura cultural da Bahia.

Para se transformarem numa nova SA, as tropas de ataque de Hitler, só faltam os uniformes marrons, os quais, no caso, são eventualmente substituídos pelas camisas amarelas da CBF.

Por isso, Bolsonaro et caterva causam grande alarme em todo o mundo. Mesmo nos meios mais conservadores.

Entretanto, aqui no Brasil, PSDB e outros partidos, que em tese deveriam defender as instituições democráticas, fazem cara de paisagem para a debacle anunciada da democracia brasileira, fingem que nada está acontecendo e se declaram neutros, quando não apoiam abertamente a Besta, em busca de cargos e benesses. No Brasil, não há mais democracia, há fisiodemocracia.

O Judiciário, com o Supremo à frente, também faz de conta que está tudo normal e que as "instituições estão funcionando". Funcionando para quem e para quê? Também, para quem acha que a ditadura de 1964 foi apenas "um movimento", Bolsonaro é somente mais um candidato. O candidato de mais um inofensivo "movimento".

Vivemos hoje numa espécie de República de Weimar degenerada. Em novembro de 1932, os nazistas obtiveram apenas 33% dos votos alemães, dois milhões a menos que os que tinham obtido no último pleito. Hindenburg e Papen, achando que o nazistas estavam declinando, aceitaram formar um gabinete com Hitler. Papen foi escolhido sub-chanceler, como forma de controlar Hitler. Nesse período, Hitler moderou seus discursos, jurando fidelidade à Constituição de 1919 e ao Reichstag.

Após o suspeitíssimo incêndio de Reichstag, contudo, Hitler manobrou habilmente para controlar o poder e deu o golpe que o tornou o ditador da Alemanha. Tudo, entretanto, foi votado e oficializado. Tudo foi realizado conforme regras aprovadas. Na Alemanha, as instituições também "estavam funcionando".

Os oligofrênicos que declaram neutralidade ou apoiam Bolsonaro talvez achem, como Hinderburg e Papen acharam, que podem controlar Bolsonaro e sua massa acéfala de protofascistas. Tal como aqueles, se iludem com as inéditas declarações de amor de Bolsonaro à Constituição e às instituições democráticas, falsas como notas de 3 reais, tal qual os discursos moderados que Hitler fez à época.

Não podem. Os golpistas não controlarão Bolsonaro e Bolsonaro não controlará seus seguidores.

A única maneira de derrotar a ameaça fascista no Brasil é apoiar firmemente Haddad e repelir o fascismo e sua contraface: o antipetismo que cevou o fascismo brasileiro.

Os partidos de direita e de "centro", porém, preferem, como hienas, disputar a carniça dos cargos da apodrecida democracia tupiniquim, a defender as instituições democráticas e a civilização.

É o plano "Democracia Zero".

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