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Política para Indignados

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Política para Indignados

Carta aos evangélicos

Roberto Requião, senador, PR

27/10/2018

Caros irmãos evangélicos,

Muitos de vocês se revelam em grandes dúvidas com relação às eleições presidenciais. Acontece também com a hierarquia da Igreja Católica. E há alguma justificativa para isso. Como em qualquer comunidade de homens e mulheres, a influência de líderes poderosos tende a orientar o voto. Entretanto, líderes religiosos também são homens e mulheres sujeitos a errar. Em razão disso, exercendo o livre arbítrio, você terá de encontrar a sua melhor opção eleitoral por seus próprios meios, buscando, para isso, a inspiração vinda da fé.

Muita coisa está em jogo nessa eleição. Um dos candidatos postula abertamente o armamento da população civil para supostamente combater a violência. Acontece que todos sabemos que violência gera violência. As maiores vítimas dessa proposta, caso fosse adotada, seriam os próprios policiais. A situação deles não se alteraria porque permaneceriam armados. Já a situação de centenas de milhares de outras pessoas, armadas, poria em risco não só o povo em geral, mas os próprios policiais com que se confrontariam.

Esse mesmo candidato quer acabar com o ensino fundamental nas escolas a fim de transformá-lo em ensino a distância. Seu objetivo declarado é economizar com merendeiras e professores. É uma proposta patética. Para milhares de mulheres, merendeira é a única profissão possível. São especializadas nisso. O que farão se, subitamente, perderem o emprego? E vão perder o emprego para quem? Para investidores que querem ganhar imensas somas de dinheiro com o ensino a distância, afundando a qualidade do ensino em geral.

No plano do emprego, o candidato não oferece qualquer perspectiva para a sociedade. É fato que ele fala em gerar empregos. Mas é só isso. Não explica como. Certamente que o desemprego é a pior chaga da sociedade brasileira, que você conhece bem, por si mesmo e por sua família. Mas fazer uma política de combate verdadeiro ao desemprego requer vontade política e capacidade administrativa. O candidato Haddad assumiu o compromisso com a aplicação de uma política de pleno emprego que está toda muito bem fundamentada.

O compromisso de Haddad é reduzir o desemprego dos atuais 13 a 15 milhões para não mais que 3 milhões de pessoas através de um programa batizado de Cidade Cidadã. Os 3 milhões que restarão no desemprego não serão propriamente desempregados, mas trabalhadores que estão mudando de emprego ou esperando ser chamados para trabalhar. Em síntese, como resultado do programa, todos os trabalhadores aptos e dispostos a trabalhar deverão encontrar trabalho remunerado no mercado de trabalho público ou privado.

Por esse programa, o Estado bancará uma bolsa trabalho por até três anos para os desempregados cadastrados nas comunidades, aplicando a mão de obra reunida dessa forma em obras e serviços de interesses comunitário nas áreas de sub-habitação. Será uma espécie de frente de trabalho urbana, inspirada num programa desenvolvido na Índia e que foi saudado pelo Banco Mundial como um projeto estelar. O custo inicial do programa se transformará em compras dos trabalhadores, as compras em investimento, e o investimento em mais emprego no mercado em geral.

Sei que milhares de vocês esperam conseguir um emprego pela graça de Deus. Contudo, como evangélicos, vocês sabem que é preciso algum esforço próprio para alcançar a graça, não apenas as orações. O esforço próprio nessa época de eleições é a forma de votar. Avaliem bem o desempenho e os compromissos do candidato, seu grau de sinceridade, o tipo de promessa que faz. Só então decida seu voto. Os evangélicos são um corpo importantíssimo de cidadãos, e da opção deles pode depender o destino dessas eleições.

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