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Economia para Indignados

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Economia para Indignados

Guedes engana o povo com o futuro para destruir o presente

J. Carlos de Assis, economista, RJ

17/05/2019

A propaganda de Paulo Guedes em defesa da reforma da Previdência sustenta que, se não houver a tal reforma, não haverá dinheiro para pagar os futuros aposentados. Numa palavra, a Previdência estará quebrada e incapacitada financeiramente para bancar aposentadorias e pensões. Um dos motivos seria a chamada curva demográfica: haverá mais gente se aposentando do que gente entrando no mercado de trabalho.

Isso teria algum sentido se estivéssemos numa situação de pleno emprego. Ou seja, em que todos os trabalhadores dispostos e aptos a trabalhar estivessem encontrando ocupação remunerada no mercado de trabalho e outros saindo. Sabemos que isso não é verdade. Temos quase 14 milhões de desempregados absolutos e algo como 28 milhões subempregados. É mais gente desempregada ou subempregada que a população inteira de muitos países.

Se essas vítimas da recessão e depressão encontrassem trabalho permanente, a curva demográfica seria deslocada para a direita, ou seja, haveria relativamente menos gente se aposentando em relação aos que estivessem se empregando. A conclusão é que, se houver enfraquecimento financeiro da Previdência no futuro, a culpa é da política econômica atual, não da demografia. É que nenhum sistema fiscal suporta recessões prolongadas.

A outra desculpa apresentada pelos esbirros da classe dominante para desestruturar a Previdência pública refere-se à tecnologia. Não é a política econômica mas o desenvolvimento tecnológico que estaria gerando alto desemprego. Como explicar então que no Brasil chegamos ao nível de virtual pleno emprego num ano tão próximo como 2014? De fato, o desemprego caiu para pouco mais de 4% naquele ano, recorde em décadas.

Ao lado desse fato estatístico brasileiro, acabamos de saber que a taxa de desemprego nos Estados Unidos, o país mais tecnológico do mundo, caiu para o nível mais baixo em cinquenta anos, 3,4%. A conclusão mais uma vez é de que, no que se refere a emprego, o elemento decisivo é a política econômica. Culpar outros fatores ou a tecnologia pelo alto desemprego é simples manipulação da opinião pública para justificar o chamado exército industrial de reserva.

O fato essencial é que estamos longe de ter uma política previdenciária digna do nome, assim como uma política econômica comprometida com os interesses da Nação e as necessidades do povo. Paulo Guedes recebeu um mandato para destruir o que temos de estado do bem-estar social, radicalizando políticas neoliberais. Se o povo tomar consciência disso a reforma da Previdência de Paulo Guedes/Jair Bolsonaro jamais passará.

Acaso haveria alternativa? Existe, e é conhecida há 80 anos: uma política de promoção do investimento e do emprego na linha do que fizeram Estados Unidos e Alemanha nos anos 30, para combater a depressão. Seu sucesso foi absoluto. Entretanto, certo economista norte-americano tentou reescrever a história dizendo que o New Deal de Roosevelt foi um fracasso. O nome dele? Milton Friedmann. Quem foi? O grande mentor espiritual de Paulo Guedes!

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